Não sei se é pela região, pelo clima, ou se pelos dois, mas posso dizer que a uva que brota de terras portuguesas é responsável por uma deliciosa especiaria aqui produzida, o vinho. A o vinho, bebida elegante e democrática, que serve a chefes de estado e a pobres boêmios que aqui se fazem felizes por consumir um vinho, que na minha opinião é muito bom, por menos de dois euros.
Em uma conversa boêmia, em uma noite boêmia, um conhecido falou-me sobre uma garrafaria de um português que lhe ensinara sobre vinhos em prosas rápidas, doses de 5 minutos ou menos, mas que valiam a pena, pelo vinho, pelo conhecimento, pela prosa e pela distância percorrida até lá, não necessariamente nessa ordem. Como sou do tipo de pessoa que adora conhecer esse tipo de coisa e conversar com esse tipo de gente, não pensei duas vezes. Em um pedaço de papel achado na rua foi desenhado um mapa com a rota até a tal garrafaria. Mapa complexo, cheio de curvas e obstáculos. Confesso que não é tão fácil andar pelas ruelas do Porto, ainda mais para mim, acostumado com a lógica cartesiana de Brasília. No verso do mapa já continham algumas indicações de vinhos bons e baratos.
Acordo tarde e cansado da noite. Ainda na cama não demoro a lembrar que tenho algumas ruas para desbravar a procura de vinho. O calor do sol me assusta um pouco, mas estou decidido, vou encontrar. Pego o mapa, algum dinheiro, calço minhas botinas e saio. No caminho passo por igrejas, belas igrejas, e outras belíssimas construções, pinturas e esculturas que foram direta ou indiretamente concebidas primeiro no mundo das idéias por força ou colaboração de alguns bons vinhos. Assim imagino eu.
Consulto o mapa várias vezes, peço ajuda, e encontro. Na minha imaginação aquilo seria um pouco diferente, mas é como me descreveram. A casa de vinhos passa quase que despercebida pela pequena e charmosa rua. Fico feliz. Na vitrine já vejo uma grande variedade de rótulos de todas as regiões de Portugal. É aqui, tomarei minha primeira aula e voltarei para casa com alguns vinhos que apreciarei durante toda a noite junto com boas músicas. Ótima combinação, com certeza uma outra ótima noite.
Com um suspiro de satisfação abro a porta. Abro? Por que não abre? Esta fechada? Como pode, hoje é sábado, ainda é cedo! Não acredito... Mas é verdade, há um recado na porta, cheguei tarde. É triste. Infelizmente tenho que voltar para casa sem a prosa e sem o vinho, mas voltarei, já sei o caminho.
sábado, 26 de setembro de 2009
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Adorei o texto e lendo-o consegui imaginar os passos dados pelas complicadas ruelas do Porto, com os seus cheiros e labirintos...Pena que o esforço não foi saciado e compensado por uma bela taça de vinho português. Mas acontece, tempo não falta para que vc possa empreender uma nova descoberta.
ResponderExcluirBjo.